6 de dezembro de 2009

Ainda, Amor


substantivo-
objeto
sobrecomum
pluri -
- forme

concreto

5 de dezembro de 2009

Este, e outros, e tantos amores...

De repente, uma pequena discussão sobre o amor, no Facebook, transforma-se em cenário de guerra. Não é absurdo? Talvez, nem tanto. O tema é polêmico e, ainda que defendamos com unhas e dentes sua existência, nem sempre estamos convencidos dela.

Hoje, a nostalgia me fez percorrer caminhos novos na internet. Eis que descubro algo que me (en)canta bem:




Este amor


Este amor no va a volver.
Se fue como un gato
al que nadie quiere.

No va a volver este amor.
Se escapó como un pájaro
que huye entre las ramas.

No va a volver
a pesar de los sueños
y las palabras, los paseos
por el campo, la playa,
las olas entre los pies,
la ciudad y sus cafés.

Tantos recuerdos que quedan.

Este amar no va a volver
porque ya desde antes sabíamos
que era de olvidos y adioses,
de puertas abiertas, de vuelos,
de más encuentros
para decirnos adiós después.


De: Una tierra extraña



JULIO TORRES RECINOS



***********
Mulher que diz tchau

Levo comigo um maço vazio e amassado de Republicana e uma revista velha que ficou por aqui. Levo comigo as duas últimas passagens de trem. Levo comigo um guardanapo de papel com minha cara que você desenhou, da boca sai um balãozinho com palavras, as palavras dizem coisas engraçadas. Também levo comigo uma folha de acácia recolhida na rua, uma outra noite, quando caminhávamos separados pela multidão. E outra folha, petrificada, branca, com um furinho como uma janela, e a janela estava fechada pela água e eu soprei e vi você e esse foi o dia em que a sorte começou.

Levo comigo o gosto do vinho na boca. (Por todas as coisas boas, diziamos, todas as coisas cada vez melhores que nos vão acontecer.)

Não levo uma única gota de veneno. Levo os beijos de quando você partia (eu nunca estava dormindo, nunca). E um assombro por tudo isso que nenhuma carta, nenhuma explicação, podem dizer a ninguém o que foi.

Eduardo Galeano, em Vagamundo

Por este último texto, agradeço à Anana.

11 de agosto de 2009

Suddenly, storm

Este sítio, mantenho por amor de amante... Ilícito, imoral, sujo. Eterno.
Mas, aqui, apenas recordações.

Voltei para o Insólita Insone. Link no título do post.

Te beijo. Te espero.

26 de julho de 2009

Mater

(imagem: Vicente Luiz Vieira Simas)


maternidade deve de ser assim:

pele, colo, útero, memória.
de fato, um feto: afeto.

um dia, quando eu souber,
entenderei
que maternidade mesmo
deve ser assim:

tecida a pele, o leite:
oceano

Fragmentos disso que chamamos de "minha vida".

Há alguns anos. Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.

Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.

Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.

Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: Mas ambos estavam comprometidos.

Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.

Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania.

* Caio Fernando Abreu

5 de julho de 2009

Flap 2009

A hora e a vez da Flap (São Paulo)

PROGRAMAÇÃO

de 7 a 14 de julho de 2009

Dia 07 de julho, terça-feira

19 às 21h ABERTURA DA FLAP – CASA DAS ROSAS

Em lhe sendo pedido um poema de guerra, de W. B. Yeats

Com os poetas Alfredo Fressia, Ricardo Domeneck (participação virtual), Paulo Ferraz e Rafael Rocha Daud

Dia 08 de julho, quarta-feira

18h LIVRARIA CULTURA SHOPP. BOURBON: Leitura e sessão de autógrafos com Annita Costa Malufe, Dirceu Villa e Fábio Aristimunho Vargas

CASA DAS ROSAS:

14h MESA DE DEBATE 1- A poesia pode derrubar um muro, ou “we have no gift to set a statesman right”? com:

  • Annita Costa Malufe

  • Dirceu Villa

  • Amalia Gieschen

16h PALESTRA sobre poesia concreta com Frederico Barbosa

18h LEITURA com os poetas da Mesa

20h, pós-palestra PASSEATA poética até o ESPAÇO ZERO CULTURAL (para um sarau de poesia)

Dia 09 de julho, quinta-feira

MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA

12h Visita ao museu- inscrições pelo e-mail flapsp2009 (arroba) gmail.com

14h MESA DE DEBATE 2- A pena está entre a cruz e a espada, com:

  • Fábio Aristimunho Vargas

  • Luci Collin

  • Ámbar Past

  • Paulo Ferraz

  • Simone Brantes (somente leitura)

  • Fabiana Faleiros (somente leitura)

16h LEITURA com os poetas da Mesa

Dia 10 de julho, sexta-feira

CASA DAS ROSAS

14h MESA DE DEBATE 3- Existe um muro entre a poesia e as outras linguagens? A poesia está encastelada no livro ou na palavra? com:

  • Ana Rüsche

  • Dirceu Villa

  • Alejandro Méndez

16h LEITURA com os poetas da Mesa

Dia 11 de julho, sábado

17h ESPAÇO SATYROS: LEITURA com os convidados

18h LIVRARIA CULTURA VILLA-LOBOS: Leitura e sessão de autógrafos com Jessica Freudenthal, lançamento de Cámbio Climático: Panorama de la joven poesía boliviana

Dia 12 de julho, domingo

15h LIVRARIA CULTURA SHOPP. MARKET-PLACE: Leitura e sessão de autógrafos com as poetas Amalia Gieschen, Simone Brantes e Ámbar Past

CASA DAS ROSAS

10h-16h OFICINAS DE CRIAÇÃO com ALEJANDRO MENDEZ e DIEGO RAMIREZ, salas 1 e 2

17h LEITURA ABERTA

Dia 13 de julho, segunda-feira

16h FÁBRICA DE CRIATIVIDADE: MESA DE DEBATE 4- Existe uma poesia popular e uma poesia erudita oponíveis? com:

  • Balam Rodrigo

  • Camila do Valle

  • Pablo Paredes

18h LEITURA com os poetas da Mesa

20h SARAU no bar do BINHO

Dia 14 de julho, terça-feira

CASA DAS ROSAS

18h MESA DE DEBATE 5- Que elementos fazem a poesia mais própria para derrubar um muro? com:

  • Jessica Freudenthal

  • Diego Ramirez

  • Valeria Meiller

20h LEITURA com os poetas da Mesa

21h ENCERRAMENTO

4 de julho de 2009

FLIP 2009 - Fragmentos


Palestra de abertura, com Davi Arrigucci Jr.
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Mesa 3 - Verdades Inventadas
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Mesa 5 - Deus, um delírio
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Mesa 10 - Chico Buarque e Milton Hatoum
(Leitura de Chico Buarque)
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Mesa 10 - Chico Buarque e Milton Hatoum
(Leitura de Milton Hatoum)
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30 de junho de 2009

Na Casa das Rosas

(pra variar...)

Oficina de criação poética com Frederico Barbosa

POESIA E CONSCIÊNCIA DA LINGUAGEM


Sextas-feiras, dias 03, 10, 17 e 24 de julho.
Das 19 às 21h30

Esta oficina possibilita aos participantes que, por meio da prática de exercícios lúdicos, se iniciem ou se aperfeiçoem na prática da poesia, partindo do conceito de Jakobson, de que a função poética consiste em imagens, sonoridade e ritmo. O trabalho se inicia por exercícios de formação de imagens. Em seguida, será trabalhada a sonoridade, por meio de exercícios que levam os participantes a trabalharem com a aliteração e a assonância, na busca do estabelecimento de relações entre o som e o sentido. Finalmente, será explorado o ritmo na poesia, por intermédio dos recursos da rima e da métrica, sempre trabalhados de forma a propiciar um uso mais original e criativo de processos tradicionais na elaboração poética.

Participem! Só R$10,00!!!!

Casa das Rosas: Av. Paulista, no. 37 - São Paulo (capital).

29 de junho de 2009

Pato com Laranja

Não te parece familiar?



26 de junho de 2009

Somente nesta sexta e sábado

Inovadora a ideia! Clique na imagem para ampliá-la e saber mais.

24 de junho de 2009

Livros na mesa - RJ



Clique na imagem para ampliá-la


22 de junho de 2009

Filosofia Oriental e Poesia


O evento Leituras Poéticas Contemporâneas: um olhar sobre o Oriente reunirá os poetas Claudio Willer e Claudio Daniel para um debate sobre a influência da filosofia oriental na poesia. O encontro acontecerá no dia 15 de julho, às 19h, na Livraria da Vila (Itaim) em São Paulo (SP), com curadoria do filósofo e poeta Chiu Yi Chih.

Local: Livraria da Vila, na rua Dr. Mário Ferraz, 414, Itaim – São Paulo - SP.

Realização e apoio: Livraria da Vila

CLAUDIO WILLER é poeta, ensaísta e tradutor.É também doutor em Letras (USP). Seu livro mais recente é Estra¬nhas experiências (Lamparina, 2004); publicou Volta, narrativa em prosa (Iluminuras, 1966), Lautréamont – Os cantos de Maldoror (Iluminuras, 2005) e Uivo e outros poemas, de Allen Ginsberg (L&PM, 2005).

CLAUDIO DANIEL é poeta, ensaísta e tradutor. Mestre em Literatura Portuguesa pela USP. Publicou os livros de poemas Sutra (edição do autor, 1992), Yumê (Ciência do Acidente, 1999), A sombra do leopardo (Azougue Editorial, 2001), este último vencedor do prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, oferecido pela revista CULT, Figuras Metálicas (2005) e Fera Bifronte (2009).

18 de junho de 2009

ARCANO V - O PAPA:



Organização

Momento propício para pagar pendências financeiras.
Nesta fase não haverá abundância, mas uma situação mais estabelecida que antes para garatir seu sustento.
Estabeleça contatos, busque novas propostas.

(Alguém aí quer fazer parceria?)

Obrigada


-- Querida, como vai a sua vida?

(Era amigo mesmo, daqueles que não perdem tempo fazendo perguntas retóricas. Tive de ser sincera.)

-- De pernas pro ar. Vou me mandar pro interior do interior.

-- E sair da metrópole? Bunita, você é uma pessoa dinâmica, lembra?

Não. Não me lembrava. Mas ele não se esqueceu.

6 de junho de 2009

Apontamento

Perguntaram como é cair do céu. Não deu tempo de escrever, mas ele explica:

Álvaro de Campos

Apontamento


  
 
       A minha alma partiu-se como um vaso vazio. 
       Caiu pela escada excessivamente abaixo. 
       Caiu das mãos da criada descuidada. 
       Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso. 

       Asneira? Impossível? Sei lá! 
       Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu. 
       Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

       Fiz barulho na queda como um vaso que se partia. 
       Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada. 
       E fitam os cacos que a criada deles fez de mim. 

       Não se zanguem com ela. 
       São tolerantes com ela. 
       O que era eu um vaso vazio? 

       Olham os cacos absurdamente conscientes, 
       Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles. 

       Olham e sorriem. 
       Sorriem tolerantes à criada involuntária. 

       Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas. 
       Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros. 
       A minha obra? A minha alma principal? A minha vida? 
       Um caco. 
       E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

27 de maio de 2009

De sexta



escreve de novo
aquelas palavras rasgadas
regadas de versos

sem rima
sem métrica
sem lógica

-dizendo do amor que consome, e que você quer mais-

só pra eu acreditar.

manda praquele velho endereço
de postagens antigas
de idas sem vindas
com remetente de uma letra só
(a sexta, no chão do quarto, no vão das roupas, nos poros de tudo)

diz da liberdade que encontrou, do salto que deu, das aspirinas que tomou nas espirais do caminho.
fala
dos labirintos e da saudade-vã

vãos falos
ficam-se os cheiros

diz que queria ligar, mas perdeu o telefone
- eu compro tudo
e os e-mails voltavam
- eu rascunho
e as viagens não davam
- eu pago pra ver

fala de como é o caminho lá fora
os fins sem história
e a poesia, derramada em botequins

de sexta
(letra
abreviada)

como essa história, meu amor

B.

Evento


(Clique para ampliar)

23 de maio de 2009

Hay que tener collones!

Agora é oficial: hay que tener collones, enfrentar os próprios medos e mergulhar de cabeça aberta, mente escancarada, corpo inteiro e coração sangrando, ao lado de diversas FERAS poéticas, todas em uma nau de loucos, comandada por ninguém menos que Claudio Daniel. 

Estou falando da Oficina de Criação Poética que ele está ministrando lá no Ateliê do Centro, em Sampa.
Ah, não está em São Paulo? Não tem desculpa: se está lendo essa mensagem é porque tem acesso à internet e, portanto, pode perfeitamente baixar gratuitamente o Skype (skype.com) e participar da Oficina às terças-feiras, das 20h às 22h, por uma quantia super simbólica

O primeiro módulo abordará a crise do verso clássico, na segunda metade do século 19, e as novas estratégias de criação que surgiram a partir daí, como o verso livre, o poema em prosa e o poema virtual.
Poetas como Whitman, Rimbaud, Mallarmé e Conde de Lautréamont serão abordados. Haverá, ainda, exercícios de criação poética, que serão discutidos e publicados no blog (labcripoe.blogspot.com) do curso, que - como se não bastasse - também dá direito a apostila virtual!!!

Maiores informações: claudio.dan@gmail.com.

15 de maio de 2009

Oficina de Criação Poética


O poeta Claudio Daniel realiza um curso de criação poética no Ateliê do Centro, localizado na rua Epitácio Pessoa, 91, próximo à estação de metrô República, em São Paulo. O curso, que acontece aos sábados, das 15 às 17h, é dividido em vários módulos, com exposições teóricas sobre Mallarmé, Valéry, Ezra Pound, Haroldo de Campos, entre outros poetas, e exercícios práticos de criação. 

Para que mora em outras cidades, o curso pode ser feito on line, via Skype. 

Informações sobre o curso estão disponíveis no blog Laboratório de criação poética, na página http://labcripoe.blogspot.com

Quem estiver interessado em participar pode enviar uma mensagem para o e-mail claudio.dan@gmail.com.

30 de abril de 2009

30.04.09



É como ele disse: veste a máscara do sorriso e abraça a rua.